Escala 12×36: é possível fazer horas extras e trabalhar nos dias de folga? 

Trabalho

Escala 12×36: é possível fazer horas extras e trabalhar nos dias de folga? 

Equipe Paim Advogados

29/01/2026

A jornada de trabalho na escala 12×36 é bastante comum em atividades que exigem funcionamento contínuo, como hospitais, vigilância, segurança, portaria e serviços essenciais. Nesse regime, o trabalhador exerce suas atividades por doze horas consecutivas, seguidas de trinta e seis horas de descanso, o que, em tese, já contempla a compensação da jornada semanal e o repouso semanal remunerado. Apesar disso, muitas dúvidas surgem quanto à possibilidade de realização de horas extras e ao trabalho nos dias destinados à folga. 

A legislação permite a adoção da escala 12×36, desde que prevista em acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho. No entanto, o fato de a jornada ser diferenciada não autoriza o empregador a exigir trabalho além dos limites legais de forma indiscriminada. A realização de horas extras na escala 12×36 não é a regra, mas pode ocorrer em situações excepcionais, desde que respeitados os limites de saúde, segurança e descanso do trabalhador. Quando o empregado extrapola as doze horas contratadas, o tempo excedente deve ser pago como hora extra, com o adicional legal ou normativo correspondente. 

Outro ponto sensível é o trabalho nos dias de folga, ou seja, durante o período das trinta e seis horas de descanso. A convocação do empregado para trabalhar nesse intervalo descaracteriza a lógica da escala e pode gerar direito ao pagamento em dobro ou como horas extras, além de reflexos em outras verbas trabalhistas. A prática reiterada de convocar o trabalhador em seus dias de descanso pode, inclusive, ser considerada abuso do poder diretivo do empregador e comprometer a validade do regime 12×36. 

É importante destacar que, embora a escala 12×36 já englobe o descanso semanal, o trabalhador não pode ser privado de repouso adequado. O descumprimento das regras pode gerar não apenas o pagamento de diferenças salariais, mas também indenizações por danos à saúde, especialmente quando há prejuízo ao descanso e ao convívio social. Cada situação deve ser analisada conforme a realidade do trabalho, a habitualidade das convocações e o que está previsto nos instrumentos coletivos. 

Busque orientação jurídica para avaliar se seus direitos estão sendo respeitados. 

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